domingo, 4 de julho de 2010

"Ecoturismo de Aventura", na Lagoa

Em março deste ano, a prefeitura do Rio inaugurou no Parque da Catacumba, às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, uma série de equipamentos para prática de “turismo de aventura”. Por meio de licitação, foi escolhida a empresaLagoa Aventuras”, que irá operar no parque os equipamentos de tirolesa, rapel, arvorismo, entre outros. A ação visa atender a dois propósitos: reanimar parques “abandonados” da cidade e promover no Rio este nicho do  turismo. 


Arquivo Pessoal
Muro de Escaladas - Parque da Catacumba




As atividades são acompanhadas por instrutores profissionais, e os preços por pessoa variam de R$ 15,00 (muro de escalada) até R$ 40,00 (rapel). Há também circuito de arvorismo especialmente para crianças. Nenhuma das atividades têm grau de dificuldade considerado difícil.


Além das atraçõesradicais”, o parque se mantém como o maior do Brasil no número de esculturas ao ar livre, possuindo rica fauna e flora remanescente de Mata Atlântica. Uma trilha leve por dentro do parque conduz a um pequeno mirante, de onde se tem vista privilegiada de toda a Lagoa.


Arquivo Pessoal
 Vista do mirante do Sacopã - Parque da Catacumba




Novas instalações também causam polêmica 

 Apesar da justificativa do projeto ser a revitalização do espaço, que é pouco conhecido pela população carioca, a instalação de equipamentos para esportes radicais e a mudança de "perfil" do parque desagradou a muitos frequentadores habituais do local. Desde o anúncio do projeto, em 2008,  houve questionamentos diversos sobre a regularidade das obras no local, que é área de preservação ambiental, e até queixas sobre possíveis remoções de esculturas famosas. O promotor Marcelo Leal, do Ministério Público Estadual, chegou a instaurar inquérito público civil para investigar o projeto. Frequentadores promoveram um abaixo-assinado pela internet contra a modificação do parque. Jayme Derenusson, autor do site do abaixo-assinado (www.parquedacatacumba.com.br), argumenta que as obras descaracterizaram o parque e denunciou que esculturas já foram quebradas e removidas por conta das novas instalações.
  
www.parquedacatacumba.com.br 
 Escultura de Sergio Camargo, supostamente quebrada pelas obras bo parque.

Nenhuma das denúncias foi adiante e, após duas licitações da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, uma para construção dos equipamentos e outra para operar o serviço, a prefeitura inaugurou as atrações.



Parque já foi favela

O Parque da Catacumba também foi lembrado em março por ter sua existência ligada à remoção de favelas, tema de grande discussão após os desabamentos decorrentes das fortes chuvas. No fim da década de 1960, durante a gestão de Carlos Lacerda, governador do Estado da Guanabara, a população de diversas favelas da zona sul da cidade foi removida para novos conjuntos habitacionais construídos nas zonas norte e oeste (Cidade de Deus, Guaporé, Quitungo, entre outros). 


fonte: http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=374131 
 Favela da Catacumba


Onde hoje existe o parque, construído na década seguinte, fora uma enorme favela, a favela da Catacumba. Foi o início de um projeto que buscava afastar da zona nobre da cidade a população mais pobre, em grande maioria migrantes nordestinos que trabalhavam em bares, residências e obras na região. Até hoje, muitos moradores daquela época visitam o parque em busca de vestígios da favela. Foi o caso de dona Maria das Dores, 58 anos, que morou no local até 1970, quando foi removida junto com sua família:
"Morávamos numa casa muito humilde, pequenininha, de madeira, eu e minha família, um total de 8 pessoas."  diz ela, que observou que ainda há na trilha do parque diversos pedaços de telhas e tijolos das casas da época. "[Eu] lembro que morávamos ao lado de uma caixa d'água, mas é muito difícil, não dá para identificar nada aqui".







Em tempo: A origem do nome "catacumba" deve-se ao fato do local ter sido usado por índios como cemitério (catacumba significa "local onde se enterram os mortos).

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